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24 de outubro de 2017
103 visualizações

Uma que foi e dois que vão chegar

Valentina, minha velha companheira de escrita, partiu em abril desse ano, após 17 anos de convivência intensa. Ela estava comigo, deitadinha no meu colo, no dia em que comecei a escrever meu primeiro livro. Enquanto eu teclava, ela ficava ali, muito bem aconchegada, fazendo a sua parte. No começo, achei gostosinho escrever com uma gata gorda no colo, sem pensar nas implicações disso. Levou um tempo até que eu percebesse a importância do que ela fazia. Não era apenas dormir. Ao se aconchegar ali, ela impedia que eu me levantasse da cadeira. Seria cruel demais atrapalhar seu soninho. Não podendo me levantar da cadeira, eu me obrigava a seguir escrevendo, mesmo quando a história truncava, ou as ideias se embaralhavam. Tinha de seguir em frente, em respeito a ela.

Curiosamente, esse padrão só durou enquanto me dediquei aos livros. Valentina nunca deitou no meu colo durante a escrita de roteiros, que é o que tenho feito ultimamente. Ela gostava de literatura. Prova disso foi que quando partiu para o lado de lá, eu não estava escrevendo nenhum livro. Até nisso ela foi elegante.

Mas digo tudo isso porque dentro de poucos dias receberemos dois gatinhos. Será a primeira vez em que terei dois. Será diferente. Embora fique imaginando, não vou especular sobre o que vem por aí. Vamos deixar que eles escrevam suas próprias histórias…

Já se passaram seis meses desde que Valentina se foi e essa é a primeira vez que escrevo a respeito. Um amigo disse que mesmo depois que eles partem, não nos abandonam. Ficam rondando. Em dias frios como hoje, escrevendo nesse blog que ela conhecia tão bem, mexendo apenas as pontas dos dedos, sinto-me mais felina que humana. Esse ensinamento ela passou para mim; como alcançar o conforto inabalável de uma gata madura.

 

 

 

 

 


2 comentários

  1. Tatiana Paiva

    Ana, meus sentimentos!
    Vc e ela formavam uma linda dupla.
    A Valentina deve ser uma gatinha cheia de luz agora.

    1. Índigo
      Índigo

      OI, Tati. É mesmo. Ela teve uma boa vida, e deve estar em um ótimo lugar, bem fofo, combinando com ela. Saudades. Continuo esperando a sua visitinha

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