De repente, na caixa de comentários desse blog surge uma avalanche de opiniões sobre o conto “Pedaço de carne”,  que está no livro “Cobras em compota”. Descubro que são alunos do sexto ano e que só estão me escrevendo porque o conto caiu numa prova. E também porque a professora sugeriu que eles escrevessem para mim. A grande maioria não gostou do conto. Nas palavras deles, por ser “nojento”, “ridículo” e “confuso”.

É a primeira vez que um bando de alunos se dá ao trabalho de escrever para dizer que não gostaram de algo que escrevi. Teve um que disse ter dado graças a Deus ao chegar ao fim do conto.

Fiquei tão intrigada que ontem eu reli “Pedaço de carne”. De fato, é nojento. Ridículo? Talvez. Confuso? Não acho confuso. Acho que demanda uma leitura cuidadosa. A narrativa não é explícita. Se fosse, não teria graça. Seria jornalismo, e não literatura. Mas depois de tanta crítica, confesso que fiquei com vontade de escrever textos cada vez mais nojentos. Aliás, reli vários contos de “Cobras em compota” e agora percebo que, dependendo da sensibilidade do leitor, escatologia é um tema recorrente no livro.

Também fico me perguntando que tipo de livro esses alunos estão acostumados a ler. Será que eles acham que literatura tem de ser asséptica e edificante? Fiquei com essa impressão. Meu consolo é que em breve eles irão se deparar com Dostoievski, Kafka, Edgar Allan Poe, e daí, sim, terão a dose de nojeira que merecem.

São episódios assim que me fazem querer seguir em frente, buscando piorar cada vez mais o meu texto.  

Modificado pela ultima vez: 26 de outubro de 2014

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Comentários

Cara Índigo Sou um desses alunos do sexto ano, mas não consegui mandar um comentário por causa da falha do site. Mesmo assim gostaria de dizer que eu realmente achei seu texto nojento, mas particularmente eu acho que foi isso que deu graça a historia.

Sou um dos alunos do 6 ano q voce falou no post ”Ai que nojo ” nao entendi o ultimo paragrafo, como assim piorar cada vez mais seu texto??

    Mateus Malki 

    Cara Índigo Eu sou do sexto ano e sou amigo do Victor e gostaria de dizer que seu texto é realmente nojento, mas particularmente acho que foi isso que criou graça na historia.

    É uma ironia. Ou não.

Eu sou uma aluna do “bando de alunos ” do 6° ano e também achei seu texto nojento e confuso espero que você mude seu jeito e pare de escrever textos assim …

Mateus Malki 

Cara Índigo Eu sou um dos alunos do sexto ano, mas não consegui enviar uma mensagem por causa da falha no site. Mesmo assim gostaria de dizer que o seu texto é realente nojento, mas particularmente eu acho que é isso que deixa a historia engraçada.

Estranho isso. Até onde eu sei, adolescentes gostam de escatologia. Não sei se serve de alívio, mas pelo menos, ainda que obrigados, eles estão lendo. E talvez a graça seja essa mesmo, chocar. No meu humilde ponto de vista, acho que a literatura deve incomodar, seja adulta, juvenil ou infantil. E cobras em compota é um ótimo livro, a começar pelo título que, da primeira vez que li, me remeteu diretamente às minhas aulas de ciências na sexta série quando eu gostava muito de coisas nojentas como qualquer outro moleque que eu conhecia. Abraços!

    Oi, Fabiano. Não sei quantos anos vc tem, mas pelo jeito as coisas mudaram. Os alunos hoje em dia andam bem “sensíveis”.

Achei seu texto um pouco nojento , nunca tinha lido um texto assim antes. Eu sou uma das alunas da Melissa

Não gostei da sua história, um pouco confusa e muito nojenta. As crianças não gostam disso. Espero que melhore no jeito de escrever.

Bom eu li apenas três historias suas e foram as piores da minha, vida você escreve muito mal ! E índigo é um nome muito feio para uma mulher

    Murilo M Gracioto 6ªB 

    Para sua informação Indigo é um pseudônimo! Os textos dela são uma literatura mais complicada e feita para ser engraçada, as vezes. Adeus

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