Não sei se é só comigo, mas sinto um negócio estranho quando estou conversando com alguém e a pessoa se refere a eles na terceira pessoa do plural. Eles, os manifestantes. Eu também sou eles. Você também deve ser. Espero que seja. Para ser sincera, não conheço uma pessoa que não seja um manifestante nato.

Repare bem nas fotos. Eles não são necessariamente  jovens ou estudantes. São brasileiros de todos os tipos e tamanhos. Alguns usam terno. A maioria está empregada. Boa parte nem usa transporte público. Falar em “manifestante” é um pouco ingênuo. Ou então é justamente o contrário. É uma expressão perversa que acaba reduzindo a revolta de um país inteiro àqueles que seguram faixas no meio da rua.

Modificado pela ultima vez: 26 de outubro de 2014

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