Cobra Coral pediu que eu fechasse os olhos e contasse até três. Obedeci. Ela continuava enrolada em torno da minha cabeça, feito uma serpente. Apertou um pouquinho mais. Com sua língua áspera e seca, lambeu minha testa. Ardeu. O que aconteceu em seguida foi uma das experiências mais doidas da minha vida. Meus braços se contraíram para junto do tronco, meu pé esquerdo passou para trás da perna direita e enrodilhou-se em torno do calcanhar. Não sei como, consegui fazer esse movimento três vezes, de modo que minhas pernas se tornaram um único membro. Em seguida meu corpo inteiro se contorcia. Eu me esfregava no tronco da árvore e minha pele aderia ao casco. Rapidinho entendi que, mantendo o ritmo da contorção, eu conseguiria driblar o efeito da gravidade. Só não podia cessar o movimento. E assim eu deslizei pelo tronco da imensa árvore até alcançar o chão.

Modificado pela ultima vez: 26 de outubro de 2014

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