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15 de julho de 2014
1166 visualizações

Mediunidade precoce

Minha avó, que é médium, conta que com nove meses eu já era uma médium consciente. Meus pais não gostaram dessa história. Eles queriam que eu fosse normal. Até hoje não sei em quem acreditar. Minha vó conta que eu erguia a mãozinha e a chupeta vinha até mim, estivesse em cima da cômoda ou onde fosse. Eu também conseguia provocar dores de cabeça agudas nas pessoas da casa. A dor só passava quando a pessoa me pegava no colo e ficava me paparicando até que eu me desse por satisfeita. Embora eu não falasse, conseguia me comunicar com o pediatra. Apontava para o meu ouvido, por exemplo, ou para a barriga. Dava um jeito de mostrar o que estava incomodando. Minha vó conta que nasci com um espírito antigo, e que desde bebê eu era muito cordial. Depois que meus pais trocavam minha fralda eu erguia o dedão, num sinal de OK. No restaurante, quando me cansava do ambiente, eu rabiscava uma minhoquinha no ar e pedia a conta. Eu até dava um tapinha nas costas do garçom, na hora de me despedir.
Meus pais não eram católicos, mas resolveram me batizar o mais rápido possível.
Foi um batizado um pouco tenso. No momento em que o padre se aproximou, para pingar a água benta na minha testa, eu levitei. Ele tomou um susto. Deu um passo para trás e se benzeu.
Eu continuei subindo, feito um balão de gás hélio. Na verdade, todo mundo ficou um pouco assustado com o meu comportamento. Eu só subia.
Até que alguém gritou:
– Segura ela!
Mas eles demoraram demais. Eu já estava lá no alto. Minha mãe caiu no choro. Teve gente que achou que eu ia desencarnar. O padre ficou totalmente sem reação. Não havia um protocolo para esses casos. Então eu voltei, bem devagarinho. Ele subiu numa cadeira e me pegou no ar. Acelerou o resto do cerimonial. Em vez de um pinguinho na testa, ele me enfiou na bacia de água benta, e eu berrei feito uma louca, pois a água estava gelada.
Depois disso as manifestações pararam, a não ser nos dias em que me sento para escrever e meus dedos disparam a teclar relatos escabrosos que me deixam de cabelo em pé, mas essa é outra história.

 
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4 comentários

  1. Avatar
    Fabiano Rodrigues

    Achei muito legal.
    Eu acho que você não gosta muito de comparações (ninguém gosta!), mas esse conto me lembrou do Spharion, da antiga coleção vaga-lume. No livro, o personagem levitava quando bebê. O porém é que aquela história é um desperdício sem tamanho. Quando parecia que o enredo se desenvolvia o livro acabava. Isso não ocorre com você. Aliás, sua habilidade de nos manter ligados na história é incrível. Abraços!

    1. Avatar

      Oi, Fabiano. Na verdade não me incomodo com comparações. Podem ser úteis. Acho que li Spharion, mas não lembro nada. Dessa passagem eu não lembro mesmo. Vai ver ficou gravado em algum lugar do inconsciente. Agradeço o comentário. VALEU!!! beijinho, Índigo

  2. Avatar
    tatiana

    Concordo com o leitor Fabiano quando escreve que vc tem habilidade de nos manter ligados na história. Escapei rapidamente do meu trabalho cansativo de pedagoga para me fortalecer com seu blog e seus contos maravilhosos. Fazia algum tempinho que não abria o Blog para ler e hoje tantantantammmmm encontrei tanta coisa boa que o tempo passou voando, voando e meu estado de gripe até ficou mais suave kkkkkk e meu trabalho ficou pendente para amanhã (que minha chefe não leia isso). Fui, agora é preciso liberar os aluninhos.

    1. Avatar

      Tati. Que bom que vc voltou. Estava sentindo falta dos seus comentários! bjo, Í

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