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29 de setembro de 2014
1192 visualizações

Contos do corpo, 31 – Um possível futuro para mim

Depois de três dias de cama e antibiótico, eu estava de volta à escola. No fim, foi uma virose boba que passou sem deixar nenhuma sequela que eu pudesse carregar pela vida toda.

Mas durante aqueles três dias pensei muito sobre quem eu era, no que acreditava e no que gostaria de fazer da vida, caso sobrevivesse, logicamente.

Na segunda noite de convalescença eu me vi no palco do teatro municipal do Rio de Janeiro, com um vestido longo, preto, de veludo. Meus cabelos, também muito longos, amarrados numa trança. Deu para ver que eu estava de brincos de diamante e um bracelete de prata, sentada num banquinho, tocando uma flauta transversal.

Liguei o abajur ao lado da cama e fiquei olhando para a parede.

Flautista? Eu?!

Fechei os olhos e, de novo, me vi perfeitamente no vestido elegante e a flauta. Só que dessa vez deu para ouvir a melodia. Eu tocava bem, realmente bem. Nem eu acreditei. Claro que não consegui voltar a dormir. Mas tudo bem, pois agora eu tinha um futuro.

Assim que voltei à escola fui à sala de música e perguntei se poderia dar uma olhadinha nas flautas. A sala de música funcionava como a biblioteca. Era possível levar instrumentos para casa, durante alguns dias. Levei a flauta. A professora perguntou se eu sabia tocar. Menti. Ela disfarçou e sugeriu que eu levasse um método junto.

Chegando em casa, tirei o uniforme horroroso e botei um vestido. Fechei a porta do quarto e me sentei na minha cama, com a flauta transversal. Imaginei que estava num bosque, sentada no galho de uma árvore bem alta. Sim, em outras palavras, eu era uma fada encantada. No fundo era isso. Nem lembrei do método. Confiei no meu talento natural e comecei a tocar de improviso. O som era divino. Meus dedos deslizavam pela flauta como se tivessem feito aquilo há muitas vidas. Tive até de desencostar as costas do travesseiro porque senti um par de asas pressionando para desabrochar. E tenho certeza que teria me transportado para o bosque, se não fosse o aparelho ortodôntico rasgando o interior da minha boca a cada sopro. Prossegui até que o sangue começasse a escorrer pela bochecha, e as lágrimas junto. Tirei o vestido, botei uma bermuda e me resignei a ser uma pessoa de carne, osso e dentes defeituosos.

 

 
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5 comentários

  1. Avatar
    tatiana ferrarini

    Ooiiiii tudo azul?

    Aqui continuamos no cinza com muita chuva mas o coração azul, bem azul. Agora no final do expediente tirei um tempinho e li o seu conto… amei de paixão. Bem coisa de menina moça mesmo. Nunca sonhei que era uma flautista mais delirava muito achando ser uma cantora famosa, linda e magra (oh sonho encantador). Hoje, bem acordada sou pedagoga, gordinha (porem bem resolvida), canto pessimamente, mais sou linda kkkkkkk.Durante a noite ai o sonho continua até o amanhecer.

    1. Avatar

      Oi, Tati. Acredite, vc É uma fada, e provou que tem poder. Eu vi. Ou vc acha que o dia 18.07 foi o quê? bjo

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    tatiana ferrarini

    Oi olha eu ai novamente agora escrevendo o que minha mamãe pediu…..ela esta se recuperando da cirurgia e na cama lê o seu livro. Durante o domingo o João abre o blog e lê seus contos pra ela e nos divertimos muito. todos enviam mil beijocas e como diz o lema da Tati (eu)….Força na peruca pra todos nós. Beijocas

    1. Avatar

      Ueba! Fico feliz de saber que ela está se recuperando. Mande um beijo para ela tb! Sim, muita força na peruca que ninguém aqui é Rapunzel. bjo

      1. Avatar
        tatiana ferrarini

        Bom dia flor do dia

        É isso ai vamos indo com força na peruca.
        Obrigada pelo “Fada”….amei. Realmente o dia 18 foi magico e até 5 minutos atras o professor Jhonatas estava comentando comigo que nunca viu nada igual e ressaltou o quanto ter achou surpreendente com o sorriso sempre estampado no rosto e uma humildade incomparável. Isso faz um bem pra gente né? bOM,deixa eu voltar para o reino encantado da minha sala de coordenação.Beijocas e força na peruca.

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