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8 de dezembro de 2014
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É mais forte do que eu

Eu sei que falei que ia interromper o Contos do corpo, mas… quem disse que eu tenho algum controle sobre a minha escrita? Surgiu mais um. Aí vai.

Contos do corpo, 44 – Dedo virado

Estava descalça, fazendo xixi. Olhei para meus pés. Como quem não quer nada. Olhei por olhar e percebi que o pé esquerdo não era o meu pé esquerdo. Ele estava irreconhecível, a ponto de eu imaginar o pior. (que havia sido trocado). Não me pergunte como ou onde.
Minha primeira reação foi tocar. Para tirar a prova. Senti a minha mão encostando direitinho, como se ele fosse meu mesmo. Menos mal. Daí botei um perto do outro e olhei com mais atenção. Na verdade, não é que ele tivesse se transformado por inteiro. A mudança era pontual. Mais especificamente no dedinho que fica ao lado do dedão. Ele havia se virado para o lado. Quando? Quando ele começou a se virar?
Imagino que foi de pouquinho em pouquinho, ao longo dos anos, à noite. Não doía, não me desequilibrou, não atrapalhou em nada. Um lance discreto, mas contundente. Olhei.
Ele parecia um bebezinho adormecido, aninhado no ombro do dedão. O do pé direito continuava a postos, reto, determinado, alerta, aprumado. Aprumado é a palavra. Mas o esquerdo se virou de ladinho, como se tivesse se esquecido da sua função e caído num soninho gostoso. É um jeito de envelhecer. Relaxou, perdeu a rigidez. Por outro lado, eu sabia que precisaria dele bem firmado e reto, por questão de postura e equilíbrio. Não é que ele estivesse me boicotando. Talvez tivesse se sentiu esquecido, achou que não era lá tão importante, e foi se ausentando. Eu nem podia ficar brava, pois (apesar da idade) eu ainda dançava ballet e dança do ventre. Ele me acompanhava em todos meus desejos. Nas caminhadas, nas festas com direito a salto alto, na piscina, em viagens. Ele nunca me deixava na mão. Então aceitei o movimento e deixei por isso mesmo. Apenas fiquei surpresa por não ter percebido o processo. Também lhe agradeci porque entendi que ele estava ali como um mini-mensageiro. Meu corpo se transformava o tempo todo, e eu não estava prestando atenção aos detalhes. Começou com um dedinho, mas entendi que aquilo era apenas o começo.

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